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Análise do Watch Dogs 2

Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São Francisco

Na lata: a Ubisoft tinha uma pedreira pela frente com  Watch Dogs 2, no melhor de todos os sentidos. “Pedreira” porque o primeiro jogo, cercado de expectativas, foi bom na intenção, mas mal na execução. O peso que a sequência tinha para buscar a redenção era enorme. E será que conseguiu corresponder à altura?
Tive teve três oportunidades de experimentar a sequência da atmosfera hacker ambicionada pela Ubisoft anos atrás: uma na E3 2016, outra numa ocasião em São Francisco, a convite da empresa, e a última vez num evento em São Paulo, semanas atrás. A cada build degustada, um sabor diferente – sempre melhor do que o anterior. A evolução foi gradativa, no caminho oposto do downgrade. Completamente inverso.
Na lata, de novo: surpreendeu. Até aqui, se analisarmos friamente, a Ubisoft não fez qualquer alarde absurdo de Watch Dogs 2. Ele foi anunciado de maneira comum, por meio de vídeo, inclusive fora de um evento grande, com data de lançamento agendada para o dia 15 de novembro do mesmo ano. O marketing silencioso parece até ser alguma estratégia. Algo do tipo: “Vamos ficar na nossa e ver o que os jogadores acham”.
A postura está mais tranquila, segura, confiante, humilde. “Posso dizer que estamos trabalhando duro e que escutamos todos os feedbacks dos jogadores. Nós simplesmente queremos entregar um produto divertido e reformulado”, contou um dos desenvolvedores para mim no início da jogatina, durante a E3.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoMarcus Holloway e São Francisco: combinação que deu certo
E a redenção, ao menos para este redator que vos escreve, foi desenhada da maneira mais procedural possível. Um pouco de “Mr. Robot” aqui, uma pitada de GTA ali e o próprio tempero implementado no game original, mas completamente aprimorado, somados a um dos paraísos tecnológicos da Califórnia, nos EUA: pronto, você tem Watch Dogs 2. E São Francisco nunca esteve tão linda num produto assim.

São Francisco, finalmente, ganha a reprodução que merece

Inevitavelmente, o primeiro aspecto notável de qualquer jogo é o visual. É aquela primeira impressão, é a vitrine que pode ou não estar bonita. Watch Dogs 2 cumpre esse quesito com maestria. Em momento algum, até aqui, a Ubisoft mentiu sobre o que ele é ou passou algo que não é. Até porque, se refletirmos rapidamente aqui, o jogo não teve muito tempo para eventuais downgrades – que jamais ocorreram. Ele foi anunciado e lançado este ano, num salto só. E o pouco tempo que a dona Ubi teve serviu para aplicar UPgrades ao que estamos vendo agora.
Watch Dogs 2 representa uma fidelidade gráfica impressionante com relação a São Francisco, que se abrange por toda a região costeira da Califórnia. O Vale do Silício, por exemplo, cruza o sul da área da baía, se estendendo por Palo Alto, Santa Clara e os subúrbios de São José. Esse é apenas um trecho da impressionante reconstrução das ilhas de Watch Dogs 2. É um exemplo geográfico de como as equipes de direção de arte, programação e design conseguem unir forças para criar um mundo crível, verossímil e autêntico, principalmente a quem já esteve lá.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoO Pier 39 é um dos cartões-postais mais importantes de São Francisco
É simplesmente incrível, todos os pontos turísticos estão lá! O Pier 39, a ilha de Alcatraz, Sausalito, a emblemática Golden Gate, a simbólica Lombard Street, com suas históricas curvas em caracol, Dragon’s Gate, a entrada para Chinatown, Union Square, onde fica um dos terminais dos bondes... Difícil nomear tudo. Coincidentemente, estive em São Francisco alguns meses atrás e visitei diversos cartões-postais do local.
Fiquei particularmente impressionado com o cuidado aos pequenos detalhes, inclusive comportamentais, não somente visuais: nas ruas, nas praias e nos ambientes ao ar livre de Watch Dogs 2, há pessoas correndo, jogando frescobol, fazendo alongamentos, cooper ou simplesmente sentadas ao chão, mexendo no celular, à beira de árvores, como se fossem pequenos oásis. Eu vi tudo isso e mais um pouco na vida real, quando estive lá, e no jogo.

Uma história beeeem diferente...

Com o primeiro Watch Dogs, a história se desdobrou de maneira bem diferente: o jogo foi revelado durante a conferência da Ubisoft na E3 de 2012, com aquela apresentação impressionante, e só saiu em 2014, bem diferente do que havia sido exibido – para pior, infelizmente. Watch Dogs 2, conforme mencionado, foi anunciado e lançado este ano.
São Francisco é uma cidade linda e merecia, enfim, ser fielmente reproduzida num produto eletrônico. Quem escolhesse esse local como ambientação deveria estar ciente das regiões montanhosas, das ladeiras, das praças, das praias, do polo tecnológico, da natureza, da vida ao ar livre, de uma cidade viva e ativa. Eu já descrevi, mas preciso insistir: assim é a São Francisco de Watch Dogs 2. Linda, com vida própria, com personalidade, muito sol, muitas cores e um protagonista, Marcus Holloway, que esbanja carisma e deixa Aiden Pierce no chinelo em se tratando de habilidades hackers.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoO protagonista de Watch Dogs 2 é mais irreverente - sem jamais ser chato ou mala
Tudo isso está reproduzido de forma tão verossímil que, quando bati os olhos no jogo, sem parar pra pensar muito, imaginava estar jogando a versão de PC. Digo, nos eventos. Todos aqueles gráficos “lavados” do primeiro Watch Dogs foram, olhem só, lavados. Limpos, secos ao sol e renovados. As ruas estão ricamente detalhadas; o pôr-do-sol de São Francisco é um dos mais lindos deste planeta, e por quê não aproveitar isso?
Ele reflete na água, na blusa de Marcus e nos óculos escuros dele, gerando sombras e silhuetas em tempo real, dinâmicas, sem aquela mascarada ligeira e pré-renderizada. E ah, ao olhar um vidro com reflexo, é possível ver todo o ambiente que está atrás de você, e não um cenário padrão, previamente desenhado, defeito inconveniente do primeiro Watch Dogs.
A relativa densidade na história do primeiro Watch Dogs foi praticamente abolida no segundo. Antes, tínhamos uma caçada pessoal movida por vingança, também envolvendo, naturalmente, o submundo dos hackers. Agora, no entanto, é como se estivéssemos vendo o outro lado da moeda: irreverência, leveza e bom humor marcam a aventura de Marcus Holloway, um afro-americano lotado de habilidades, e seus amigos, igualmente carismáticos.
O feeling da trama se inspira bastante nos eventos da série “Mr. Robot”, do canal USA, só que com um foco mais, digamos, “coletivo”, e talvez menos sério. Basicamente, você acompanha um grupo de hackers que exercem papel de heróis ao lutarem contra o famigerado “sistema”, que engloba órgãos governamentais, esferas privadas, corporações gananciosas que vigiam e controlam informações do mundo inteiro.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoOs hackers que atuam com Marcus conseguem ser bons filósofos também
Isso, no entanto, contradiz as ações que você pode fazer no mundo aberto. Digo: em GTA, por exemplo, matamos e roubamos veículos o tempo inteiro, é a coisa mais divertida que pode haver num mundo aberto e na utopia de nossos pensamentos mais nefastos. E lá controlamos criminosos por natureza, caras que não têm nada a perder e cujo comportamento se encaixa absolutamente na proposta de aniquilar pessoas à vontade.
Mas, em Watch Dogs 2, assim como no primeiro... Bem... Marcus Holloway é bonzinho, é um hacker que tenta ser “bad-ass”, descolado e desprovido das malícias dos magnatas, dos sabichões do crime. O negócio dele é hackear e invadir sistemas na tentativa de um “bem maior”, e matar uma mãe de quatro filhos na rua, aleatoriamente, traz uma essência mais “arcade” ao game, irreal mesmo. Portanto, isso não é um ponto negativo e não está pesando na nota; é apenas uma observação.

Carros: física e dirigibilidade resetados

Outra queixa que inundou os fóruns e as discussões em torno do primeiro Watch Dogs diz respeito ao controle dos veículos. Eles pareciam um “sabonete” que patinavam sem qualquer sentido numa dirigibilidade comum. A tiração de sarro comparando essa mecânica com a de GTA foi inevitável – assim como é quase impossível não se lembrar da franquia da Rockstar em diversas nuances de Watch Dogs 2.
Na verdade, o ideal é não comparar. Watch Dogs 2 tem brilho próprio e se torna um jogo ainda melhor se esquecermos que GTA existe. Ciente disso, a equipe da Ubi tratou de redesenhar toda a programação do controle dos automóveis. O que envolve física, peso de cada carro – cujo manuseio pode variar com base no porte –, derrapagem e afins. Agora, sim, temos uma experiência agradável ao volante. E muito divertida.
Os veículos foram completamente repensados. Nenhum modelo é importado ou genérico; é possível ver cada linha de ferragem das portas, os detalhes nos pneus, nas calotas e os efeitos, desta vez refinados e minúsculos, que são aplicados à modelagem de um veículo quando ele se choca. Os vidros se estilhaçam de forma cristalina, parecem floquinhos de neve. Colírio aos olhos.
Alguém entrou na sala de programadores e falou: ok, precisamos resetar o código do controle de veículos e reescrever tudo. “Está rodando num PC, certo?”, perguntei a um desenvolvedor que conduzia a jogatina na E3 2016. “Não. É a versão de PS4. Aperte o botão PS e veja”, respondeu. E sim, apertei para constatar. O visual de Watch Dogs 2 está, definitivamente, tão belo quanto a região costeira de São Francisco.

AGORA sim você é um hacker!

É na jogabilidade que Watch Dogs 2 brilha. As habilidades hackers de Marcus Holloway, conforme mencionado, são, disparadamente, superiores às de Aiden Pierce. Watch Dogs 2 é tudo que o 1 poderia ter sido. Agora, sim, há uma verdadeira sensação de hackear as coisas e utilizar a tecnologia a seu favor. Não se resume a pressionar um comando no celular e pronto. Marcus não larga seu fiel escudeiro, o laptop, que sempre está na mochila em torno de seu pescoço.
O drone é um elemento essencial para as abordagens do protagonista. Invadir um galpão para coletar informações confidenciais sobre uma possível conspiração envolve que você PENSE, e não apenas corra-e-execute. Escolha a sua abordagem: você pode atirar em quem quiser, pois há um eficiente sistema de cobertura para isso, ou acessar o leque de opções que tem à disposição para uma ofensiva em stealth. O jogo, na verdade, tem uma curva acentuada para te incentivar a usar a segunda opção. Marcus se esgueira de cobertura em cobertura exatamente como você viu em The Division e Splinter Cell: Conviction, meu título favorito da franquia de Sam Fisher.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoO quadricóptero é um canivete suíço
Havia um cachorro no local. Dois dispositivos poderiam ser utilizados pelo protagonista: o aéreo ou o terrestre, batizado de “Jumper”, ambos controlados por você. O animal pode farejar e, portanto, representa um problema à média distância. Soltei o Jumper, um carrinho que quase leva a marca d’água da Hot Wheels, para distrair o pastor alemão. O controle é delicioso, igual ao de um brinquedo.
Hora de dar a volta, subir por uma escada lateral, dar cabo de dois inimigos e hackear um laptop para conseguir as informações. O drone pode ser útil para vistoriar a área e assegurar que o terreno esteja limpo para a fuga. O plano perfeito, executado com cérebro e com sobriedade. Se você optar pelo tiroteio, cuidado: em questão de poucos tiros tomados você ganha uma tela vermelha e game over. Portanto, sempre há essa opção, mas o level design – fantasticamente desenhado – vai te incentivar a usar suas habilidades hackers. As quais, aqui, são muitíssimo bem-vindas.

Repetitividade: fardo do mundo aberto. Aqui não!

A dedicação da Ubisoft com relação a um dos maiores problemas do mundo aberto é escancarada em Watch Dogs 2. As equipes certamente botaram rascunhos na mesa, deletaram conteúdos previamente iniciados, consideraram novas ideias e, finalmente, chegaram a um veredito: vamos oferecer, aos jogadores, o parque de diversões mais diversificado possível aqui.
Em todas as esferas e camadas, Watch Dogs 2 consegue ser legal sem enjoar. Há realmente TANTAS coisas diferentes para fazer em São Francisco que dificilmente você vai cair naquele temido ciclo da repetição, no qual, mesmo que as atividades existam dentro de uma variedade, a experiência se torna enjoativa.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoInvasões, corridas, selfies, colecionáveis e mais: o leque é extenso para você não enjoar
Aqui, a preocupação é paterna para que isso não aconteça: você pode participar de corridas de drones, disputas de motocross e de jumpers, cruzar argolas de checkpoint, embrenhar-se em rachas, tirar fotos de pontos turísticos – e é agradável demais explorar os cartões-postais de São Francisco –, fazer missões cooperativas, comprar seus próprios veículos e tuná-los... Enfim, há pouca margem para a nefasta repetição porque, dentro desse ciclo de atividades, sempre vai haver alguma variedade. Sim, seu smartphone tira selfies agora, com direito a gestos, caras e bocas – inclusive desbloqueáveis.

Personalização e multiplayer robusto

Roupas e acessórios estão mais generosos agora. É possível personalizar Marcus com outro casaco, outra calça, outro par de tênis, chinelo, sandália, bonés, gorros e até mesmo o case do notebook, entre outros apetrechos. É o típico passatempo que consome a vida de quem aprecia uma customização.
Outra característica de suma importância para o sucesso de Watch Dogs 2 é a modalidade cooperativa no mundo aberto. Sim, você pode fazer um montão de coisas ao lado de um amigo ou de alguém desconhecido, inclusive explorar São Francisco livremente. Em se tratando de missões, há tarefas específicas que podem ser executadas com um companheiro.
Conectar-se ao mundo de outro jogador ou permitir que ele se conecte ao seu se resume a apertar UM botão em determinados hubs espalhados pelo mapa. A tarefa está muito menos burocrática e mais intuitiva. Ao realizar missões assim, você pode triplicar as possibilidades de abordagem com todo o arsenal hacker que tem à disposição em dose dupla.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoMissões cooperativas ou exploração livre ao lado de um amigo: aquela típica e sonhada liberdade
O modo invasão hacker, que nada é mais do que o genial “esconde-esconde” do primeiro game, está de volta e praticamente intacto – só que, naturalmente, com mais habilidades cibernéticas à disposição. A parte mais legal é que esse admirável mundo novo desperta sua criatividade – você dificilmente adotará a mesma abordagem mais de uma vez se quiser ter sucesso.
Por fim, existe uma terceira vertente do multiplayer, o modo caçador de recompensas, que talvez seja o mais ambicioso. Nele, você é um hacker perseguido pelas forças policiais, que se unem a outros aliados, ou é o perseguidor. É como trocar o “esconde-esconde” por “pega-pega”, só que com estratégias ambiciosas e um arsenal ofensivo (ou defensivo) ao seu alcance. A simplicidade jamais abusa do bom senso do jogador e mantém o fator desafio em alta.

O valor da reputação: ousadia de um sistema diferente

Em Watch Dogs 2, o seu “status de hacker” vale ouro. Dentro do submundo, você é uma espécie de celebridade, alguém dotado de conhecimentos valiosos. Sua sabedoria tem valor: a reputação. Em outras palavras, quanto mais você hackear – isto é, quanto mais atividades/missões realizar –, mais conhecido fica nesse universo underground.
E isso inclui invadir mundos alheios. Os familiarizados com a franquia devem se lembrar de que, no primeiro game, qualquer um estava sujeito a ter o jogo invadido (pressupondo que essa opção estivesse acionada no menu). Em missões principais, isso não acontecia. No mundo aberto de 2014, ambientado em Chicago, o recurso era extremamente divertido – agora aprimorado na São Francisco de Watch Dogs 2. Marcus Holloway é um cara pacato dentro desse contexto, menos perturbado que Aiden Pearce, sem a necessidade de busca por vingança – ao menos não no mesmo patamar.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoTirar selfies em pontos turísticos é uma tarefa opcional divertida - e com incentivo para que o jogador faça isso

Mas então... O que falta?

Pelo que você leu de Watch Dogs 2 até aqui, certamente está pensando: “Ué, o jogo está impecável, é um nota 100, então”. Em teoria, a sequência executa, com maestria, tudo a que se propõe: corrige as falhas do primeiro, aprimora o que era razoável, descarta o que não funcionava mais e insere uma batelada de novos recursos. O primeiro título é, basicamente, metade de tudo que a continuação representa.
A DedSec está ali, com seu cunho anarquista, seu caráter secreto e hackers que usam suas habilidades em prol do almejado “bem maior”. O gameplay é amanteigado, a história tem a dose certa de leveza – e até carece de peso na narrativa, na minha opinião –, os personagens são carismáticos, a dirigibilidade foi reprogramada, as habilidades hackers foram ampliadas e São Francisco é estupenda. Nem mesmo a repetição pode ser ressalvada aqui.
A Ubisoft criou, definitivamente, um dos mundos abertos mais divertidos de seu extenso portfólio. Watch Dogs 2 faz tudo direitinho, em teoria é lindo, mas, na prática, o impacto é diferente. É menor e mais enxuto; as fórmulas de mundo aberto estão ali, as coisas que conhecemos e que já vimos em outros lugares estão ali. Claro que há o tempero hacker, que dá um sabor diferente ao prato, mas, basicamente, fora isso, há um pouco de tudo que já vimos.
O que falta, em Watch Dogs 2, é, explicável ou inexplicavelmente, alma. O jogo reserva um pacote generoso, lotado de conteúdo. Mas há uma estapafúrdica sensação de vazio no meio daquele parque de diversões cheio de atrações. É como se você estivesse num parque mesmo, rodeado de brinquedos legais, que funcionam de maneira exímia, só que, ali no miolo, no meião de tudo, você simplesmente para e reflete, olha pro nada, pro além, pro vácuo, sem saber para onde ir. Talvez com preguiça de tomar essa decisão. De repente você se dirige aos seus aposentos e liga o Netflix ou um jogo de plataforma – pode ser um Ratchet & Clank da vida ou algo da coletânea Rare Replay – e enxerga mais magia.
Como hackear a própria redenção num lindo mundo aberto em São FranciscoLombard Street: destino imprescindível a quem visitar São Francisco
Em algum lugar, falta magia em Watch Dogs 2. Falta...alma. Mas isso jamais desmerece todo o primor técnico que o jogo apresenta. Pode ser que, em teoria ou na prática, ele seja um 90 ou até mais. Existem bugs aqui e acolá, típicos de mundo aberto, nada comprometedor. Aliás, a Ubisoft conseguiu minimizar ao máximo os problemas desconcertantes e esse é um elogio que deve ser registrado em alto e bom som.
Mas não sei, talvez eu esteja ficando rançoso demais, puritano, chato, ou simplesmente houve algum vazio inexplicável no jogo mesmo. Gastei mais de 40 horas no mundo aberto, executei e explorei de tudo, em todos os cantos, mas senti falta de alma. E ela é tão abstrata quanto esse sentimento incomensurável.
Portanto, cabe sempre ressaltar: opiniões são exclusivas a cada um de nós. Se para mim Watch Dogs 2 é um 89, é porque está categorizado como ótimo, ou seja, jogue! Pois está recomendado. É difícil aplicar um valor numérico a uma experiência tão única a cada um de nós. Para você, pode ser um 70, um 80, um 90 ou até um 100.
Não se apegue a isso; simplesmente jogue e se divirta, pois Watch Dogs 2 oferece entretenimento de sobra. A Ubisoft pavimentou o terreno com o título original, construiu um sólido muro com Watch Dogs 2 e ainda deixou espaço para sedimentar a franquia no longo prazo. Seja bem-vindo a São Francisco e aproveite a viagem!


89PS4
Ótimo
"Watch Dogs 2 cumpre, com sucesso, seu papel obrigatório de redenção e sai de um esboço para o desenho completo de uma franquia com futuro promissor"
 outras plataformas
  • 89
    PC
  • 89
    XBOX ONE
pontos positivos
  • Belíssimo mundo aberto em São Francisco
  • Inúmeras atividades num pacote generoso que não deixa margem para a temida repetição
  • Marcus Holloway e os outros personagens esbanjam carisma
  • Habilidades hackers que incentivam a criatividade em abordagens stealth
  • Dirigibilidade redesenhada: cada veículo, carros, motos ou barcos, tem física diferente
  • A inclusão dos drones, que são canivetes suíços, é genial
  • História leve e gostosa de acompanhar, porém...
pontos negativos
  • ...Porém, falta peso na narrativa
  • Faltam alma e magia em algum lugar
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