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Análise do Titanfall 2

Titanfall 2 mostra que fez a lição de casa e melhorou tudo o que já tinha

Quando vi o trailer de Titanfall em 2013, fiquei realmente impressionado. Claro, havia outros jogos que demonstravam o que a nova geração poderia fazer, mas o game da Respawn realmente chamou atenção ao criar um clima épico em uma experiência exclusiva de multiplayer, algo que parecia bem ambicioso. Ele chegou e realmente entregou tudo isso. Com tamanho sucesso, a sequência estava no forno.
Uma curiosidades da sequência é que ela segue um caminho contrário: partiu de um módulo exclusivamente online e construiu uma campanha em volta. Porém, será que ela atende ao que esperávamos? E o multiplayer, evoluiu? São questões que, felizmente, foram respondidas de maneira positiva às minhas expectativas, provando que Titanfall 2 é o que o primeiro deveria ter sido desde o começo.
Análise do Titanfall 2
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Uma campanha no ritmo perfeito

É muito difícil não comparar o modo história de Titanfall 2 com Call of Duty ou algum outro shooter mais rápido. Por conta dessa expectativa inicial, o começo pode ser um pouco monótono para quem está acostumado com momentos épicos em 100% do tempo. Contudo, essa introdução mais lenta e a progressão na medida certa é o que faz a campanha do game ser tão boa.
Titanfall 2 não tem medo de tomar o tempo que precisa para introduzir o universo do game ou apresentar os personagens. Tudo tem a medida certa: os motivos são bem explicados, as facções são bastante exploradas e de pouco em pouco o roteiro vai se formando. A narrativa é muito redonda e com pouquíssimas falhas. Algo leve e gostoso de jogar, com níveis bem-feitos, que contam com começo, meio e fim, com direito a chefões e tudo mais.
Análise do Titanfall 2
Para evitar spoilers, não vou mencionar do que se trata, mas você pode esperar um nível absurdamente bom da metade para frente da narrativa. Por conta da ótima construção da história, a campanha fica excelente de uma forma natural, sem precisar forçar nada. Diferentemente de Call of Duty, a sequência do game da Respawn não tenta ser épica o tempo todo e é por isso que ela é tão memorável quando os créditos rolam.
A narrativa segue a história do fuzileiro Jack Cooper e o seu recém-adquirido titã BT-7274 (BT para os íntimos) em um planeta chamado Typhon. Ao longo da jogatina, você deve descobrir o porquê de a IMC, a companhia e vilã do título, estar interessada no planeta inóspito. No geral, a narrativa explora esse aspecto macro e também aborda o elo entre o titã e o seu piloto, com muitos alívios cômicos e momentos mais sérios.
Há momentos nos quais você se separa de BT e deve percorrer a jornada sozinho. Há decisões de diálogos legais, mas elas possuem uma fórmula meio repetitiva depois de um tempo. De um modo geral, a campanha traz todos os elementos que você deve conhecer sobre o multiplayer, se tornando um grande tutorial para as habilidades de piloto e do titã. O único ponto negativo é que, por mais legal que a campanha seja, ela é relativamente curta, durando cerca de seis a oito horas na primeira zerada, e não tem muitos colecionáveis, apresentando um fator replay baixíssimo.
Análise do Titanfall 2

Mais que um shooter: um game excelente de plataforma

Uma das coisas mais legais do primeiro Titanfall era a mecânica de movimentação ágil. Você nunca estava parado: sempre se mexendo e correndo para onde a ação estava. A Respawn conseguiu fazer um excelente trabalho com o “parkour” futurista durante o modo campanha.
O level design é excelente e você nunca se sente perdido. Em alguns momentos, Titanfall 2 deixa de ser um shooter e se torna um jogo de plataforma maravilhoso. Esses dois ritmos são alternados e misturados de forma espetacular, criando um modo história que foge do clássico “corra, atire e termine a missão”. E, mesmo se você ficar sem saber para onde ir, a interface do título oferece um bom guia, seja mostrando o objetivo ou reproduzindo um holograma para que você imite os saltos.
Apesar de o jogo ser linear, há abertura suficiente para explorar e ter uma grande sensação de liberdade. O único contraponto aqui é que, apesar de ter áreas grandes para caminhar e fugir um pouco do objetivo, há quantidades limitadas de colecionáveis no decorrer da campanha e eles não são muito interessantes ou recompensadores, algo que acaba ficando pouco aproveitado no geral, conforme supracitado.
Análise do Titanfall 2
No quesito shooter, Titanfall 2 não deixa nada a desejar em relação aos seus concorrentes ou ao antecessor. Existe um leque de armas incrível, as mecânicas passadas foram aprimoradas e há novidades bem legais, como o gancho de movimentação. A inteligência artificial conta com ótimos padrões de comportamento, até mesmo quando ela precisa ser “burra”. Usar a camuflagem e desaparecer na frente dos inimigos não fará com que eles saibam onde você está quando o efeito acaba, por exemplo.

Ambientação à la James Cameron

Um dos aspectos positivos mais bacanas de Titanfall 2 é a sua ambientação, que tem um clima muito inspirado em Avatar. Typhon é diferente do planeta-natal da Milícia, que é ao mesmo tempo uma base militar e um refúgio para a população perseguida pela IMC. Contudo, o mundo no qual a história se passa conta com uma atmosfera totalmente diferente.
A equipe reaproveitou parte dos elementos que iriam compor o lore do primeiro jogo aqui: você divide a tela com soldados, robôs e até mesmo criaturas alienígenas, como leões meio lagartos, dinossauros e espécies voadoras que apenas apareciam de relance no antecessor. Há uma ótima variedade de conteúdo e uma fase nunca parece muito semelhante à outra.
Multiplayer aprimorado e mais dinâmico
Apesar de a campanha ser magnífica, boa parte dos jogadores também está empolgada com o modo multiplayer, que é a alma do game. Muitos que jogaram o Beta não curtiram a movimentação mais “lenta” e as novas divisões de classes. De fato, muitos elementos foram segmentados e uma gama maior de possibilidades foi criada, mas isso está longe de ser ruim.
Há seis classes de titãs, cada uma com habilidades, armas e perks diferentes. Porém, há uma diferença crucial aqui: os robôs gigantes são mais “capados”, pois nenhum deles traz toda a versatibilidade oferecida no jogo anterior, como escudos, saraivada de mísseis e muito mais: cada grupo tem suas próprias vantagens. O foco aqui é que os grandões não permaneçam por muito tempo no mapa, mas oferecendo um tempo de respawn maior.
Análise do Titanfall 2
Outra grande mudança foi em uma mecânica que sempre foi meio malvista pela comunidade: o “rodeio” de titãs. Antes, você poderia subir no inimigo, retirar uma tampa de proteção e se debulhar nos pontos fracos. Isso gerava uma briga de gato e rato com o piloto saindo do veículo toda hora ou obrigava o titã a equipar a fumaça elétrica.
Agora, o grandalhão sempre tem uma segunda chance, pois o adversário deve montar duas vezes no robô para ser efetivo (na primeira vez, apenas a tampa é retirada, somente na segunda você pode jogar uma granada dentro do cockpit). Isso torna a aproximação dos inimigos muito mais arriscada e elimina a “apelação” que víamos antes.
Há novos modos aqui também, além do clássico Exaustão, como o Recompensa, no qual você usa as skills de pilotos e robôs para conquistar dinheiro e acumular uma quantia maior do que o adversário. Toda a grana deve ser depositada em um baú que funciona como um banco, que é liberado de tempos em tempos. Contudo, caso você morra, boa parte das cédulas são perdidas. Trata-se de uma modalidade que requer uma movimentação maior e apostas mais arriscadas, ideal para mostrar a loucura que o multiplayer de Titanfall 2 tem a oferecer.
Análise do Titanfall 2

Uma experiência online bem balanceada

De fato, os pilotos são um pouco mais lentos e não contam mais com uma terceira arma contra gigantes de aço (as armas mais poderosas devem ser substituídas no segundo lote), os titãs não têm duas barras de dashs por padrão e os ambientes estão um pouco mais abertos. Porém, isso auxiliou no balanceamento do gameplay.
Quer correr bastante? Vai ter que abdicar de algum benefício de defesa ou ataque. Quer um robô mais resistente e casca grossa? É bom estar disposto a largar aqueles mísseis maneiros que fazem a diferença. Há inúmeras variáveis e todas dependem do seu estilo de jogo, criando um grande e complexo jokenpô de vantagens e fraquezas. O titã Ronin, por exemplo, é muito ágil e consegue retalhar os outros com uma espada, mas é facilmente derrotado em longo alcance.
Análise do Titanfall 2
Durante o período que me aventurei nos modos online de Titanfall 2, todas as partidas se mostraram bastante balanceadas, com jogadores no mesmo nível que o meu. Eu diria que, de uma forma geral, há espaço suficiente para testar todas as classes, mesmo as mais menosprezadas (como a sniper, que tende a não funcionar tão bem em gameplays rápidos), sem se sentir em desvantagem.

Muita personalização e DLCs gratuitas? Tamo junto

Apesar de Titanfall 2 fugir de muitos paradigmas da indústria, há um deles que é utilizado (mas isso é bom). Trata-se da customização dos titãs, pilotos, classes, pinturas de chassi, camuflagem da arma e muito mais. O sistema de progressão também é muito bom: ele libera novas armas, equipamentos e robôs a cada level novo.
Caso você se sinta um pouco ansioso e queira testar alguns itens com antecedência, você pode desbloqueá-los com moedas conquistadas nas partidas multiplayer. Os mapas são todos de alta qualidade e funcionam muito bem tanto para os mais ávidos em matar outros jogadores quanto para os mais inexperientes que querem auxiliar na eliminação dos bots com IA.
Outra grande vantagem de Titanfall 2 em relação ao primeiro jogo é que todos os mapas serão gratuitos aos jogadores, ou seja, nada de comprar pacotes de expansão caros para aumentar a longevidade do modo online. No geral, o game oferece muita diversão tanto para os novatos quanto para os mais veteranos.
Análise do Titanfall 2

Gráficos caprichados e com 60 fps

Certamente, os gráficos de Titanfall 2 são muito belos e impressionam tanto nos ambientes fechados quanto nas paisagens naturais do planeta Typhon. A direção de arte é realmente incrível e oferece uma gama de localidades variadas para não entediar o jogador. Eles não são revolucionários nem estão entre os mais bonitos da geração, mas há muita atenção aos detalhes e tudo roda em 60 fps quase cravados.
A performance do jogo é bem satisfatória, ainda mais levando em conta a quantidade de efeitos de partículas de alfa e elementos que são exibidos no display de uma só vez. Raramente há perda de desempenho, mas ela não é frequente e só deu as caras em algumas cutscenes, certamente algo que não atrapalha a diversão frenética.
Análise do Titanfall 2
Dentro dessa área audiovisual, há outro aspecto raramente citado, mas que é digno de menção: tanto os efeitos sonoros quanto a composição musical são impressionantes. Os disparos das armas, o barulho das balas caindo no chão e a orquestra com grandes referências a “Aliens”, “Interstellar” e “2001: Um Odisseia no Espaço”. Todos os cenários contam com canções que realçam a magnitude natural de Typhon. Além disso, a dublagem em português é bem razoável e não sofre com termos mal traduzidos ou performance ruim.

Vale a pena?

No final das contas, Titanfall 2 se destaca em absolutamente todos os aspectos em relação ao seu antecessor. De fato, a demora para lançar uma sequência é justificada pela experiência muito divertida que o game oferece. O multiplayer foi refinado, há uma grande quantidade de conteúdo, as mecânicas antigas foram aprimoradas e até o mesmo o modo campanha brilha aqui.
Como todo título, esse aqui também sofre com alguns tropeços, mesmo que pequenos. O modo história, apesar de ter um ótimo ritmo e um grande final, é relativamente curto e não utiliza bem os cenários mais abertos. Há poucos colecionáveis; eles são relativamente bobos e não há como abordar um combate por diferentes ângulos, pois quase sempre culminam em uma área fechada, diferentemente do multiplayer.
Com ótimos gráficos, multiplayer de primeira e DLCs de graça, certamente o game pode repetir o sucesso do primeiro jogo e viver durante muito tempo nos servidores da EA. Titanfall 2 pode não ser uma revolução ou o título que traz novos paradigmas ao mundo dos jogos, mas é, sem sombra de dúvidas, um game que fez a sua lição de casa direitinho e oferece tudo o que os fãs queriam.
Lembrete: Titanfall 1 foi um dos jogos que mais gostei no começo da geração e me empolgou muito, muito mesmo. Eu adoro o game e o jogava até pouco tempo atrás. Contudo, o review do jogo foi feito por outro redator, em outra época e com parâmetros diferentes. Apesar de parecer inconsistente ver uma nota menor da sequência aqui no site, Titanfall 2 não fica acima de 95 para mim. Opiniões são opiniões. Na verdade, atribuir um valor numérico a uma experiência tão particular a cada um é bem complicado. Portanto, vamos promover o debate educado nos comentários.

94Xbox One
Excelente
"Titanfall 2 não é um jogo revolucionário nem traz novos paradigmas, mas ele acerta praticamente em tudo, tornando-se o que o original deveria ter sido"
outras plataformas
  • 94
    PC
  • 94
    PS4
pontos positivos
  • Campanha com um excelente ritmo
  • Ótimas mecânicas de plataformas que complementam o gameplay shooter
  • Level design formidável
  • Multiplayer foi refinado em todos os aspectos
  • Experiência online mais balanceada e personalizável
  • Gráficos dignos de nova geração em 60 fps cravados
  • Trilha sonora espetacular
pontos negativos
  • Apesar de ter ambientes abertos, a campanha não faz uso do espaço que tem
  • Poucos collectables em uma campanha relativamente curta
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