ZGB Start: Coluna: vazamentos estão prejudicando o mundo dos games?

Coluna: vazamentos estão prejudicando o mundo dos games?

Aconteceu no último fim de semana: após a Sony anunciar um evento focado na linha PlayStation para o início de setembro, uma série de vazamentos revelou uma das surpresas preparadas pela empresa — o PlayStation 4 Slim. Apesar de a empresa não ter se pronunciado sobre o assunto, são grandes as probabilidades de que isso tenha gerado diversos problemas internos a ela.

Esse acontecimento é somente mais um episódio em uma longa história de conteúdos que são revelados antes da data programada graças a fontes internas e certa investigação jornalística. Aqui mesmo no TecMundo Games, não é difícil encontrar uma série de notícias relacionadas a materiais divulgados de forma não oficial que, em questão de poucas horas ou dias, se mostram reais.
Um fato é indiscutível: graças à internet, a cultura dos vazamentos está aí para ficar, independente das consequências. Mas será que isso é algo bom para o mundo dos games? Não estaríamos construindo um mundo sem surpresas e excitação sabendo tudo de antemão? Já adianto que minha resposta para ambas a pergunta é um “não” bastante direto — vamos agora para os argumentos.

Vazamentos são fruto do trabalho jornalístico

Como jornalista, é difícil ver algo de essencialmente errado na divulgação de vazamentos e rumores — a não ser, claro, que eles sejam fruto de um roubo ou outra atividade ilegal. De minha parte, consigo ver tanto o interesse público (quanto o ganho profissional) em divulgar com exclusividade novidades sobre um game interessante ou curioso.
O PlayStation 4 Slim vazado
Obviamente, isso não é algo que agrada nenhuma empresa: afinal, a divulgação preliminar de informações é capaz de destruir mensagens de marketing milimetricamente construídas de forma a gerar a maior excitação possível no público. No entanto, acredito que o público — verdadeira preocupação do meio jornalístico — dificilmente é prejudicado pela divulgação preliminar de alguma informação.
Qual diferença faz saber sobre um novo game da série Assassin’s Creed por imagens divulgadas por fontes internas do que pelos vídeos bem produzidos da Ubisoft? O conteúdo da informação se mantém o mesmo, sendo que a diferença acaba sendo somente a qualidade das fotografias divulgadas ou a ausência de uma ou outra informação.
Admito: certos vazamentos podem acabar estragando a experiência para algumas pessoas: afinal, na ânsia de saber mais sobre algum jogo, podemos entrar em contato sem querer com detalhes da história que não gostaríamos de saber, por exemplo. No entanto, esse é um problema menor e que pode ser corrigido facilmente por profissionais atentos: basta usar um aviso de “spoilers”, por exemplo.
Assassin's Creed é uma série marcada pelos sucessos vazamentos de informações
Também é preciso prestar atenção à apuração de notícias, para não cair em “armadilhas” como as que surgiram durante o lançamento de Pokémon X & Y. Se aproveitando da curiosidade do público, algumas pessoas fizeram circular montagens das supostas criaturas presentes no título, o que enganou muitos veículos jornalísticos — algo que prova o cuidado que devemos ter ao selecionar as informações que divulgamos.
Outra vantagem da existência de vazamentos e rumores é o fato de eles permitirem estabelecer uma comunicação com o público mais livre do que o normal. Em um mundo controlado por assessorias de imprensa e divisões de marketing, acaba sendo libertador conseguir falar sobre algum jogo com a liberdade de fugir um pouco das limitações impostas por acordos de não divulgação, por exemplo.
A vontade de voltar aos tempos em que “tínhamos surpresas” me parece mero saudosismo de quem cresceu acostumado às limitações impostas pelas antigas revistas mensais de video game. Para o bem e para o mal, o ambiente atual da internet é marcado pela rapidez das informações, o que obriga adaptações tanto por parte do público quanto pelos produtores de jogos e jornalistas envolvidos.

O lado das empresas

É compreensível que muitas empresas não estejam contentes com o vazamento de informações de seus futuros lançamentos. Afinal, após investir um bom tempo (e uma quantidade generosa de dinheiro) em um plano de marketing, não deve ser nada agradável ver o fruto de seu trabalho “vazado” por um jornalista.
O vazamento do mapa de GTA V ajudou a criar expectativas para o game
Muitas empresas do ramo costumam tomar atitudes energéticas contra essas atitudes: a Bethesda, por exemplo, é conhecida por ter uma “lista negra” dos meios que divulgam informações de maneira considerada desagradável por ela. A mesma prática já foi adotada por nomes como Konami e Ubisoft, com graus variados de intensidade que variam desde deixar de enviar cópias de review até banir o acesso de jornalistas ou veículos a qualquer informação oficial.
Vazamentos podem tanto ajudar quanto prejudicar uma companhia do meio — enquanto a divulgação antecipada do mapa de um novo GTA pode aumentar as expectativas sobre o título, uma imagem de baixa qualidade do início de produção de um game independente pode marcá-lo para sempre no público como “aquele jogo meio feio”.
Em minha visão, companhias que participam desse mercado devem encarar vazamentos e os jornalistas responsáveis por eles não como “inimigos”, mas sim como riscos em potencial. Em uma área que envolve muito interesse externo, é de se supor a hipótese de que não é possível proteger todas as informações sobre um projeto.
Muitos se aproveitam da internet para realizar vazamentos falsos
Não estou defendendo que empresas não defendam suas propriedades ou desistam de manter segredo sobre elas. O que estou dizendo que é todos devem reconhecer que vazamentos são “parte do jogo” e que tentar atacar jornalistas pela divulgação antecipada de informações é lidar de maneira errada com esse tipo de ocorrido.
Mesmo que informações sobre um game tenham surgido antes do esperado, isso não significa que vivemos em um ambiente “sem surpresas” ou excitação. Feito de forma inteligente, o processo de divulgação de um projeto pode se aproveitar de informações divulgadas anteriormente para engajar a comunidade de fãs e, a partir da reação deles, modificar elementos ou realizar aprimoramentos que melhoram o resultado final de um trabalho.

Um assunto delicado

A maneira como rumores são divulgados deve continuar sendo alvo de discussões, até mesmo para assegurar a integridade jornalística de um veículo. De nada adianta publicar rumores de fontes pouco confiáveis ou sabendo que elas não têm base na realidade — afinal, experiências passadas já provaram que isso costuma se voltar de maneira brutal contra quem divulgou os dados falsos.
Nem mesmo Pokémon está isenta da divulgação antecipada de informações
No entanto, acreditar que um futuro sem vazamentos seria benéfico ao público é no mínimo inocente. Acreditar que as mensagens divulgadas por meios oficiais não têm outro intuito senão passar a melhor visão possível de um produto é no mínimo inocente, e só ajuda a alimentar a conhecida “indústria do hype”.
Não fosse pelo trabalho jornalístico (que vai muito além de divulgar rumores), sem dúvida teríamos a presença de mais surpresas em eventos como a E3 e a Gamescom. Em compensação, continuaríamos tendo que esperar por esses acontecimentos para descobrir informações sobre projetos de destaque e seríamos obrigados a conviver somente com dados sobre games que dão a entender que eles são muito mais atraentes que a realidade.
E você, acredita que vazamentos e rumores são uma parte essencial para a indústria dos jogos ou prefere voltar aos tempos em que empresas conseguiam divulgar cuidadosamente suas surpresas? 
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