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Análise do Not a Hero

Politicamente incorreto, divertido e desafiante descrevem bem essa loucura

Steve é um assassino profissional que acabou virando marqueteiro de campanhas políticas e precisa ajudar BunnyLord, um coelho roxo antropomórfico vindo do futuro, a ser eleito governante até o final do mês para poder salvar o planeta da destruição e da invasão alienígena. Essa é a proposta do indie Not a Hero, game que foi desenvolvido pela Roll7, a mesma de OlliOlli e OlliOlli 2: Welcome to Olliwood. Parece loucura? Não, não parece. É.

Politicamente incorreto

Not a Hero não tem a preocupação de apresentar conceitos corretos ou mesmo lógicos. BunnyLord, o suposto político que precisa ser eleito para salvar o mundo, pavimenta o seu caminho para a governança através de métodos sujos e inescrupulosos – semelhanças com a nossa sociedade são mera coincidência.
A principal arma do coelho antropomórfico são os “heróis” do game – aqueles que o jogador vai controlar –, que acabam fazendo todo o trabalho sórdido, como execuções, roubo e muita destruição. É por isso que, no final das contas, você não é o herói da trama.
Análise do  Not a Hero

21 dias para ser eleito

Como já foi dito, o objetivo é entronar BunnyLord até o final do mês. Por isso, 21 dias são apresentados aos jogadores – afinal, todos precisam descansar durante os finais de semana – para que sejam realizadas as missões para convencer a população de que a eleição do coelho roxo é o melhor caminho.
Cada dia é uma missão, e cada uma delas é acompanhada de tarefas menores que contribuem para que BunnyLord chegue cada vez mais perto dos 100% de aceitação do povo. E os objetivos em cada fase são bem variados: mate o investigador, não leve socos, mate tantos inimigos em apenas alguns segundos, salve os reféns, leve uma velhinha em segurança até a sua casa, entre outros.
Análise do  Not a Hero

Gráficos 2.25D: uma proposta que tem adeptos

A proposta gráfica de Not a Hero é semelhante à de OlliOlli: imagens pixelizadas e no formato ISO-Slant, com uma jogabilidade 2D e alguns poucos elementos em 3D. É por isso que a desenvolvedora chamou a proposta de 2.25D (ou 2 ¼D), uma ideia que funcionou bem e lembra os tradicionais games no estilo side scrolling.
Os gráficos não têm compromisso com a realidade – assim como o próprio game como um todo – e estão dentro de uma proposta bem definida, motivo pelo qual é válido um elogio para esse aspecto do jogo. Quem gosta desse estilo visual vai se sentir confortável ao jogar Not a Hero.
Análise do  Not a HeroGráficos 2.25D: uma proposta que tem adeptos.

Trilha sonora pouco empolgante

Alguns jogos independentes são bastante lembrados pela excelente trilha sonora que apresentam durante a jogatina. Not a Hero provavelmente não vai ser um deles. O game conta com belas canções durante algumas fases, mas nada que se destaque positivamente. As músicas brigam para aparecer entre o som genérico de tiros, explosões e espadas decepando os inimigos.

Jogabilidade um pouco confusa

A possibilidade de deslizar em um jogo no estilo side-scrolling é interessante, assim como esconder-se atrás de obstáculos para evitar se atingido por tiros. Porém, colocar essas duas funções em um único botão não parece ter sido a decisão mais acertada.
Análise do  Not a Hero
Foi preciso algum tempo – e muitas mortes – para se acostumar com esse esquema. Afinal, por que não separar as ações em botões diferentes? Haverá momentos em que você vai querer se esconder atrás de uma coluna, mas vai acabar deslizando em direção ao inimigo. E isso vai ser frustrante.

Variedade interessante

Se a jogabilidade “erra” ao bagunçar duas funções, Not a Hero tentar corrigir isso apresentando personagens com estilos diferentes. São nove opções, cada uma com uma arma e característica distinta. O game inicia com Steve, mas os novos personagens são liberados à medida que BunnyLord adquire popularidade – o que é conseguido após concluir as missões.
Análise do  Not a Hero

Vale a pena?

Not a Hero não é e nem pretende ser um jogo perfeito. Mas cumpre muito bem a proposta oferecida pela Roll7. Aqueles que se preocupam apenas com a qualidade gráfica vão enxergar esse título como um “típico game indie que poderia ter sido lançado para smartphones”.
Porém, Not a Hero foca em uma das características mais importantes da indústria dos games: a diversão. O jogo entretém e apresenta desafios verdadeiramente difíceis em algumas fases. Além disso, o humor também está bastante presente em algumas frases – especialmente as de BunnyLord –, aspecto que só vai ser apreciado por aqueles que entendem inglês.
BunnyLord para governante!
O jogo é relativamente simples e cumpre com muita qualidade a proposta apresentada. Independentemente de qual seja a sua plataforma, vale a pena assumir o papel de “não herói” e dar uma mãozinha na eleição de BunnyLord – mesmo que através de métodos sujos, aspecto que dá a pitada de diversão ao game.


80PC
Ótimo
''Politicamente incorreto, divertido e desafiante descrevem muito bem a loucura apresentada por Not a Hero''
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