Análise de GTA V nova geração

Santa ironia! O melhor jogo de 2013 é também o melhor (e maior) deste ano!

*A videoanálise está em produção e será postada em breve. Atualizaremos esta postagem quando o material ficar pronto.
Ah, os dilemas enfrentados pela sociedade... As eternas discussões do certo e do errado, os debates em torno do que é politicamente correto e incorreto, os problemas e as hipocrisias que afogam nosso cotidiano capitalista e trazem à tona outras questões. Tudo isso sempre foi abordado com maestria por Grand Theft Auto desde os primórdios. Colocar o jogador na pele de um criminoso foi o paradoxo que consagrou a Rockstar nessa indústria saturada por clichês.
Um não. Três. Foi exatamente isso que a desenvolvedora entregou ano passado comGTA 5 no PS3 e no Xbox 360: três criminosos com resquícios de humanidade e muito, muito em comum (sim, Trevor também está incluso nesse rol da humanidade). Franklin, Michael e Trevor, cada qual com seu carisma, foram responsáveis por horas de nosso tempo livre. Não à toa, arrancaram um 100 na análise do BJ.
A história se repete e tem um sabor ainda melhor com a chegada do título aos consoles da nova geração. A Rockstar não precisa provar seu valor para mais nada. Ela se impõe no mercado de forma natural, atuando com sua corriqueira discrição e notório talento. Observem que dificilmente o conteúdo de seus projetos vaza – e, quando isso acontece, o material é ligeiramente rastreado e extinto da internet.
O novo GTA 5 é inédito em praticamente todos os aspectos. O que começou como uma “mera” remasterização se transformou num projeto grande, ambicioso e capaz de atrair multidões, sejam elas compostas por quem já jogou o game ou por marinheiros de primeira viagem. Justificativas não faltam para você novamente gastar mais de 100 horas em Los Santos e Blaine County.

A supremacia do mundo aberto

Muito mais do que um salto gráfico, o título apresenta uma série de novidades exclusivas para a nova geração. É claro que a Rockstar não abandonou os jogadores do PS3 e do Xbox 360 – ela jamais faria uma coisa dessas a quem dedicou o seu tempo no jogo – e ainda arremessa respeitáveis atualizações para o modo online, mas a nova versão está com tanto conteúdo inédito que até mesmo os mais puritanos vão querer jogar de novo.
O engraçado é que, se pararmos para refletir, GTA é quase que isento de influências externas. Eu digo, se pensarmos em jogos, GTA se inspira em GTA, se inspira na vida, no lado cruel da sociedade, nos tabus. O conceito de mundo aberto é antigo e já foi semeado por RPGs da lapa de Tibia, Ultima Online, Fallout e afins, resgatando aí um panorama da década noventista.
Mas quando o assunto é a temática urbana, nada nesta galáxia, e nem em qualquer outra, se iguala a GTA. A nova versão contém melhorias gráficas que vão além de texturas refinadas e estabilidade na renderização. Os cenários estão mais preenchidos, a vida selvagem e a vegetação ganharam mais densidade, há mais pessoas nas ruas, mais luzes, mais prédios, mais árvores, mais tudo.
Você vai usar o smartphone com muito mais frequência só para deslumbrar as minúcias. Quando chove, o asfalto e o gramado acumulam poças d’água que refletem toda a iluminação do ambiente, incluindo movimentação de personagens ou carros, além de luzes de postes, lojas e veículos. Os detalhes são tão lúcidos que você vai querer montar galerias bacanudas com o smartphone do jogo só para compartilhar a arte. E ah, por falar em arte, eis a cereja no bolo deste reformulado GTA 5: o modo em primeira pessoa.

Rockstar, sua malandra. Câmera em primeira pessoa: o coringa do baralho

No começo desta análise, eu mencionei o quão importante é uma remasterização – que aqui mais se aproxima de um remake – avaliada do ponto de vista técnico. Os portes estão na crista da onda, e não me levem a mal: games como The Last of Us RemasteredTomb Raider: Definitive Edition e tantos outros são lindos, mas GTA 5 tem um sabor diferente. O tempero é mais apimentado, com um bom equilíbrio da linha tênue que separa o exagerado do muito simplório.
A diferença é que a Rockstar é uma das poucas desenvolvedoras deste mercado que consegue exagerar e manter a qualidade. Extrapolar sem perder a linha. Ousar sem magoar, apelar sem agredir. A única “agressão” se dá à vida social, que definitivamente vai consumir mais de 100 horas do seu tempo livre de novo. E com o dobro de prazer.
O modo em primeira pessoa, anunciado pouco antes do lançamento do game, nasceu como uma possível inspiração num mod que bombou em vídeos na internet durante semanas. Independentemente da influência, a Rockstar se aventurou por um universo – o FPS – que, em teoria, é embrionário para ela. Só que a desenvolvedora, perfeccionista que é, não se contentou em restringir o modo aos tiroteios ou a momentos pré-determinados.
Não é exagero algum dizer que a câmera em primeira pessoa traz toda uma nova perspectiva ao que já era perfeito. Sem dirimir nada do que já foi estabelecido, o modo entrega um verdadeiro Far Cry urbano com o qual muitos jogadores sonharam e pelo qual vários suplicaram.
A nova visão traz uma dose especial de tudo o que GTA 5 já oferece: os tiroteios se tornam mais realistas, a exploração fica mais imersiva, os momentos de suspense ganham uma atmosfera mais complexa e o stealth é facilitado. Franklin, Michael e Trevor estão adorando as novidades.
Talvez contrariando seus próprios princípios conservadores, a Rockstar trouxe uma drástica mudança com isso. E quando digo princípios conservadores, me refiro à postura neutra e discreta que a empresa tem com relação a remakes ou remasterizações em HD. Vide a trilogia GTA 3/Vice City/San Andreas, que nunca recebeu um tratamento oficial em HD para PS3 e Xbox 360. Até existem portes para mobile e versões refinadas no PC, mas não há um pack oficial da Rockstar com o retratamento, apesar de a comunidade ter implorado por isso em petições virtuais, fóruns, sites etc. O mesmo ocorreu com Red Dead Redemption, obra-prima que nunca chegou ao PC (e nem chegará). Em outras palavras, a Rockstar faz o que bem quer, e faz bem feito.

Limitações? Sim, e são estratégicas

A movimentação dos personagens, a dirigibilidade e os tiroteios são diretamente afetados pela câmera em primeira pessoa. Pense em todos os pormenores que Franklin, Michael e Trevor executam em suas rotinas ilícitas: abrir portas para expulsar o dono de seu veículo, nadar, pilotar, roubar bancos, pular sobre muretas, casas e carros, saltar de paraquedas, enfim, tudo isso ganha fôlego renovado.
A câmera em primeira pessoa pode ser acessada rapidamente durante o jogo, sem a necessidade de entrar ou sair de menus. Basta alternar a distância dela por meio do touchpad no PS4 e do botão Back no Xbox One. A direção é, possivelmente, o aspecto que mais sente o peso dessa mudança. Com um toque de realismo e uma pitada de dificuldade, controlar os veículos agora é um desafio mais ousado e que exige que o jogador esteja com os reflexos em dia.
A câmera em primeira pessoa já existia na direção. Agora, a nova perspectiva traz exatamente aquilo que já é amplamente adotado em games como Far Cry,BattlefieldHalo e afins: o domínio dos controles. Nada dificulta sua experiência aqui, pelo contrário: GTA 5 continua didático, mostrando novas dicas ao jogador conforme ele avança na história. Portanto, a câmera em primeira pessoa apenas traz um desafio maior e requer habilidades diferentes, mas a essência está ali, intacta, e a física continua dando um banho em outros games do gênero – e de outros gêneros também, como corrida, tênis e golfe.

O poder das “dorgas”

Como a zoeira jamais tem limites, a Rockstar, que adora tocar na ferida da sociedade com assuntos e dilemas polêmicos em suas franquias, trouxe mais novidades para a nova versão de GTA 5. Agora, o jogador encontra certos personagens que oferecem uma viagem mental diferente por meio de drogas e outros elementos que podem ser encontrados nas zonas remotas.
Ao utilizar tais elementos, os protagonistas ficam chapados e podem se transformar em aves, enfrentar alienígenas imaginários e muito mais. Além disso, os que gostam de explorar os subúrbios para ver as diferentes facetas de Los Santos vão ter ângulos inéditos na nova perspectiva.
É o jogo imitando a vida e vice-versa. A nona arte vive sendo disputada entre quadrinhos, games e alguma outra mídia de entretenimento. Não que GTA necessariamente remeta ao conceito artístico, mas se trata de uma obra tão completa, íntegra e cheia de referências em todas as suas propostas que o jargão “é uma obra de arte” se aplica com folga aqui. Na verdade, é uma obra de arte irretocável.
Oras, Hideo Kojima também brinca com isso. Quentin Tarantino, em seus filmes, satiriza a ficção e a realidade. Stephen King, em seus livros de suspense, adora mesclar os dois conceitos também. A Rockstar, chefiada pelos irmãos Sam e Dan Houser (que supervisionam todos os projetos da desenvolvedora), se pararmos para refletir, não tem uma quantidade enorme de franquias. As poucas, no entanto, são memoráveis – vide ManhuntRed Dead Redemption e Bully, além do próprio GTA, só para citar algumas. Todas elas tocam em alguma ferida da sociedade, direta ou indiretamente, e o capitalismo, bem como os seus desdobramentos, costuma estar no epicentro dessas temáticas.

Atividades secundárias e multiplayer revigorado

Algumas atividades secundárias só podem ser realizadas com a câmera em terceira pessoa. Passatempos como tênis, golfe e outros, por exemplo, automaticamente alternam para a visão tradicional. Depois de terminar essas atividades, a perspectiva em primeira pessoa é retomada.
Outras novidades do GTA 5 da nova geração trazem mais opções de customização aos veículos, como luzes de neon, motores mais potentes e nitros poderosos. Alguns carros clássicos de outros games da série estão de volta. E a “foderosa” trilha sonora conta com mais de 100 músicas novas, fresquinhas, só para apetecer o PS4 e o Xbox One.
GTA Online, o multiplayer definitivo da franquia até aqui, também ganhou melhorias: agora, algumas sessões em Mata-Mata, Corridas, Capturas e outras modalidades em equipe têm limite de até 30 pessoas, quase o dobro da versão anterior, que se limitava a 16. Os testes que realizei apresentaram muita estabilidade nos servidores e praticamente nenhuma queda na taxa de quadros por segundo.

100 é pouco. Se pudesse, eu daria 200

O novo GTA 5 mostra a maturidade que a Rockstar tem quando o assunto é mundo aberto. Experiente, ousada e criativa, a desenvolvedora, que tem um histórico de não fazer remasterizações ou versões em HD de seus jogos, resolveu abrir uma exceção e novamente brincar com os nossos sentimentos. Na verdade, ela brinca também com a nova geração e, ao mesmo tempo, mostra que há um lindo horizonte pela frente com um eventual GTA 6.
A Los Santos que você conheceu ano passado está muito mais bonita agora. A Rockstar claramente propôs um objetivo para essa remasterização: apresentar argumentos que tragam novos jogadores e atraiam os velhos. E, para isso, apareceu a cereja no bolo que convenceria os jogadores e a indústria: a câmera em primeira pessoa.
O detalhe, que à primeira vista pode parecer simples, traz toda uma experiência diferente daquilo que já havíamos conferido, numa espécie de Far Cry urbano perfeito. Aquilo que era uma utopia, um sonho, agora é realidade. Senhoras e senhores, GTA 5 em primeira pessoa eleva a adrenalina a outro patamar. Mas todos os outros fatores, supracitados neste texto, também fazem isso. É a história sendo escrita.
Seja pelas melhorias gráficas, pelo modo em primeira pessoa, pelas novidades no multiplayer, pela trilha sonora renovada ou por qualquer outro motivo, GTA 5 para PlayStation 4 e Xbox One merece cada minuto de sua atenção e de seu tempo livre. Para aproveitar tudo o que há de bom por aqui, separe 100 horas ou mais. Lançado num momento estratégico, o jogo pontua este morno 2014 com mais fôlego. Sabem aquele ditado, “em time que está ganhando não se mexe”? Aqui ele foi mexido e alcançou a supremacia. Obrigado, Rockstar.


100PS4
Supremo
Experiente, ousada e criativa, a Rockstar resolveu brincar com os nossos sentimentos de novo. Na verdade, ela brinca como bem quer com a nova geração.
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